segunda-feira, 8 de setembro de 2014

SETE DE SETEMBRO: Armahda + Sabaton @ Carioca Clube, São Paulo.

Há certas datas do ano que são especiais, da qual se espera alguma coisa. Da páscoa alguns esperam chocolates, no Natal alguns aguardam peru, e depois do carnaval fica muita gente ansiosa esperando pela próxima menstruação. Eu só já tinha desistido de esperar comemorações à altura para marcos da História Nacional. Qualquer timizeco de futebol ganha: BOOOOOOOWWW! Fecham a Paulista. Agora, o desfile da Independência mal reúne os desfilantes, seus amigos e familiares, além de meia dúzia de gato pingado lá no Sambódromo do Anhembi.

Imagina se eu ligo pra Fifi às seis e meia da manhã de domingão: "E aê, gata, tá pronta? Bora colar no desfile cívico-militar de Sete de Setembro, aê?"
"-Minishe, é DOMINGO e FERIADO, me deixa dormir!!"
"-Tá doida? E desde quando patriotismo tira folga?"

Então, após mais de trint...err...de dezoito anos tentando convencer a galera a passar um Sete de Setembro ou um Nove de Julho contemplando os fatos marcantes que  consagraram a data, já estava quase achando que todos os meus feriados históricos seriam sobre dormir até tarde, acordar de ressaca e fazer churrasco.

Mas não este ano.

Imagem: Divulgação/ Facebook


Eu nem sei por onde começar a história toda. Até porque tem vários jeitos de começar. Meu lado romântico e contodefadificador gosta de voltar para aquele momento em pleno carnaval quando eu descobri a Armahda e um de seus criadores, o guitarrista Renato Domingos. Assim, numa conversa de família sobre meu sonho aparentemente impossível, de um dia ouvir  um metal feito para Tiradentes.

"-Abrir para o Sabaton..?". A consideração não só me passou pela cabeça, como pareceu até bem óbvia. Àquela altura o único desencorajamento foi o sorriso inseguro do próprio Renato. Isso se refletiu no final reticente do meu primeiro post sobre a Armahda.

Pensar no que vi e ouvi ontem, e lembrar desse momento enquanto o Carioca Clube enlouquecia ao som de Queen Mary Insane (fazendo questão de citar essa música, que é pra não perder o trocadilho! ;)...


Claro que, desde a primeira vez que ouvi "Flags In The Wind" eu sabia que iria pirar quando visse a performance ao vivo. Mas o show, além dos previstos mini-ataques do coração com ela e "Canudos" (não adianta, esse flerte com a música nordestina de raiz me fascina!), também pude ter novas perspectivas sobre algumas sutilezas da faixa-título, "Armahda".


Eu não sei nem descrever o que eu estava sentindo ali. Desculpa, mas não tem futebol que me apaixone desse jeito nem à pau. Eu fui parar lá nos engatinhos da República, navegar nas histórias do Cruzador Tamandaré.

Eram sete e pouco da noite de sete de setembro, aos 60 anos do *final prático* da "Era Vargas". Um arroubo de ostentação irresistível me fez usar a medalha de veterano da Revolução Constitucionalista de 1932, merecida pelo meu avô paterno. O.k, a intenção aqui é fazer uma resenha emocional, e não encarnar a Dona Maricota Professora de História, mas me diz COMO ouvir Armahda sem viajar na história..?

Eu já havia tido o privilégio de ver o Sabaton ao vivo em Helsinki, e no post que eu escrevi (clica aê! ;) já trazia esse asterístico**

"Por isso que eu digo que, se a Armahda abrir pro Sabaton no Brasil com nosso próprio legado, eu vou infartar." 


Infartar, não infartei. Mas por via das dúvidas, resolvi respeitar a leve ressaca que já se anunciava nas últimas horas escuras da madrugada, depois de curtir o Overload Music Fest ao lado de companhias maravilhosas como a guitarrista Renata Petrelli ( Marie Dolls, Sinaya), e outras queridas, além das divas de sempre, divando como nunca. Add um pouco de salmiakki, e pronto. Recipe for disaster. Não no "meu" Sete de Setembro.

Mas não era a ressaca, era a ansiedade. Eu poderia tomar Clonazepam um chá de camomila de forma legal e prescrita, mas quer saber? Era um dia pra se encarar de cara limpa até a cortina se fechar - no mínimo. Parece ridículo, parece exagero falar assim e vai ter recalque passando batido, porque minha idade mental de, aproximadamente 5 anos, não me permite compreender certos tipos de ironia. Mas minha disposição pra gritar, berrar e se descabelar num show é de menininha de 15, então tá beleza, naquele momento, era isso que importava.

Surrupiei a "Revista da Folha" do hotel, com a matéria de duas páginas e chamada de capa (clica aê!) sobre a Armahda e saímos correndo a pé para pegar o show. Chegamos em cima da hora, e eu com um ingresso simples, de pista, não esperava encontrar nenhum lugar digno do meu 1,40m de altura (eu não ganhei esse nome de Minishe por acaso, hahaha!). Mas eu estava com a gata fotógrafa e fui chegando junto até a entrada da área de imprensa.

E foi assim que eu fui parar bem na primeira fila, a tempo de ver a estréia da Armahda. Na segunda música, bye bye chapinha, make, perfume, noção. O negócio era cantar junto, marchar, pular, balançar o cabelo, pisar no pé do coitado atrás de mim, jogar os braços pra cima e tentar não acertar o segurança do meu lado. Eu estava vendo tudo, e me perguntava o que eles lá do palco estavam vendo.  Ali da frente, quase no cantinho, eu não conseguia saber se a casa estava cheia, mas ouvia os brados do público e tinha a impressão de estar num lugar lotado de gente que estava ali pra ver a Armahda.


João Pires (d), Ale Dantas (g2), Maurício Guimarães  agora com a calça devidamente remendada :3 (v) , Renato Domingos (g1) e Paulo Chopps (b) : a Armahda se completa. (Imagem: Divulgação/ Erika Beganskas)


Não era só a banda de abertura, pra mim era uma coisa especial demais: o primeiro show. Abrindo pro Sabaton. No Sete de Setembro. E eu na primeira fila. No cantinho, mas primeira fila :3 Eu nunca tinha visto aquilo. Ninguém tinha. Inclusive tinha gente em volta de mim que não conhecia e muito menos acreditava que aquilo era um show de estréia. Não parecia; nem pela banda, nem pela resposta do público, totalmente entregue. Era aquilo que eu queria, era melhor que o sonho e estava acontecendo!

No Sete de Setembro.

***

Ver o Sabaton entrar no palco não era fato inédito na minha vida. Mas no meu país, entre meus queridos, no dia da nossa independência... e perto! Tão de perto que eu arrisco dizer que estava mais perto do palco do que eu fico da TV quando assisto a um show no DVD. Infelizmente, basta uma única pessoa de 1,50 pra bloquear TODA a minha vista. E acabar com meu espaço dançável.
Quero ver alguém me achar nessa foto tirada pela Heloisa Vidal! (Brasil Music Press)


Aí aconteceu uma coisa que eu nunca vou entender, mas já que não se questionam bénçãos, eu só aceitei, quando o proprietário da casa me propôs que desse a volta no balcão do bar. Ele colocou então um imenso caixote e falou que eu subisse. E, de repente, eu tinha um camarote particular ali, no bar fechado, de onde eu via tudo e podia dançar e despirocar à vontade sem me preocupar em acertar ninguém!!

No final das contas, o Sabaton fez a cobra fumar. Foi dali que eu vi Smoking Snakes ser executada ao vivo pela primeira vez. Chris Rörstrand estava com uma febre de mais de 40ºC, não fez a passagem de som, mas se levantou para fazer o primeiro show no Brasil, e fez bonito. Um verdadeiro herói, como descreveu o frontman Joakim Brodén. Ele também um herói. Heróis da história, que não só resgatam conhecimentos e tradições, mas também os "traduzem" em verbo e música para apaixonar toda uma nova geração.
Joakim, condecorado com a medalha do Coração Brasileiro :3 ( Imagem: Janice Apolinário)

A história demanda não apenas ser contada, mas inspirar, evoluir, arrebatar, ensinar e moldar as glórias do futuro. Subvalorizada, algumas vezes deturpada por uma cultura corrompida, somos uma pátria rica em façanhas que perdem-se por entre valores pouco nobres. 

 E eu, que cheguei a achar que era mais fácil reunir um coral de duendes pra cantar Avantasia do que convencer o público a ouvir power metal nacionalista cantado em português, agora atrevo-me a apostar alto, com a esperança de que a Armahda não apenas restaure em nós a honra de sermos brasileiros, mas que também venha legitimar um heavy metal bem estruturado, com letras em português da mesma grandeza - ou no mínimo com o mesmo sentimento - de um Guilherme de Almeida com seu cancioneiro da revolução. Porque nem toda a glória de Smoking Snakes se compara à nossa Canção do Expedicionário.  É uma questão de autenticidade.



E continuo esperando a música sobre Tiradentes. :3

E SPEARS OF FREEDOM NO SETLIST DA ARMAHDA!!

:3

2 comentários:

  1. hoje conheci os caras do sabaton! muito queridos eles né! estou comentando aqui pra você saber que não está sozinha e que eu adoro ler o blog! continue dando dicas de bandas, gosto de descobrir novas músicas por aí! beijinhos.

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    1. Oi, Nony!! Grata pelo carinho e pela atenção! Sabaton é uma gracinha, e eu espero que eles estejam se divertindo nessa turnê brasileira tanto quanto os fãs!
      Beijinhos!

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