quarta-feira, 4 de novembro de 2015

METAL LAND FESTIVAL - Altinópolis/ SP

A idéia de criar um grande evento ao ar livre, com renomados talentos do Heavy Metal apresentando-se em mais de um palco, tornando o Brasil anfitrião de um festival tão popular quanto o Wacken Open Air (<-- é link, clicaê!) , ainda é um sonho para nós tupiniquins. MAAAAAAAS..! A qualidade de eventos com essa proposta tem melhorado consideravelmente.





O METAL LAND FESTIVAL (<-- é link, clicaê!) era um desafio ousado. Mais de 30 bandas revezavam-se em dois palcos: Um em cima, relativamente pequeno, mas o público podia bater cabeça e fazer rodinha numa boa, sem se molhar na chuva do Vale das Grutas (<-- é link, clicaê!).

Palco Metal Land

photo by Rosa Moraes
Aspectos do palco "Dimebag", no início do festival  (Imagens: Rosa Moraes)



O segundo palco, mais espaçoso e destinados às maiores atrações, era pura magia Woodstock.


Palco "Dio" no Metal Land Brasil
Aspecto do palco "Dio" (principal), durante uma passagem de som. (Imagem: Rosa Moraes)

Galo passeando no Metal Land
Um galo esperando o show começar. (Imagem: Rosa Moraes)


Acabando de acordar no festival...
Selfie da ressaca...
Pensa: sol pela manhã e à tarde: mas justo na hora dos shows, choveu. Mas todas as bandas que por ali passaram também encontraram um público empolgado, provando que Metal não é feito de açúcar. Na verdade achei engraçado ir tomar banho pela manhã e dar de cara com garotas se maquiando, secando o cabelo, fazendo chapinha (!?)...

Eu estava de pijama, penteado indefinível. As duchas e toaletes do camping eram simples, mas impecáveis. Quase não acreditei, mas em todas as vezes que fui ao banheiro, tinha papel. E também não tinha filas - um desagradável efeito colateral da "ceva" na fifizada.
Fichinha de breja do festival
"Cerveja" em Altinopolês. (Imagem: Rosa Moraes)

Agora, a fila para comprar as fichinhas para os lanches e bebidas era quase constante- e descoberta, assim como os quiosques de drinques e salgados. No máximo, só tinham uns centímetros de cobertura, e na verdade mais atrapalhavam do que ajudavam, fazendo com que uma série de cachoeiras geladas caíssem sobre as costas dos transeuntes. 


FORRÓ DA LUA CHEIA?!
Pulseira dos músicos, convidados e adesivos de identificação do festival....

...and Justice Forró.
...transformando o Metal Land no "Forró da Lua Cheia" mais barulhento da
historia do Vale das Grutas.

Não foi justo colocar o VoodooPriest (<-- é link, clicaê!) pra tocar no lugar descoberto. Pow, cês botam um índio no palco e não querem que venha a chuva? :3
VoodooPriest no palco principal
Metal Land Voodoozado (Imagem: Rosa Moraes)

Debaixo do maior agüaceiro, porém, a energia é contagiante. É uma verdadeira integração com a natureza. Em menos de duas músicas, eu já era quase uma bolota de lama. Desacredito que saí com cara de tragédia em praticamente todas as fotos da noite. Mas que eu me diverti absurdamente, isso com toda a certeza.

Achei o máximo ter a Nekrost (<-- é link, clicaê!) no evento. Banda de Manaus, cidade que me acolheu por tantos anos e que eu amarei visitar para sempre. Do coração da Amazônia para o Wacken Open Air, e agora honrando o thrash nacional com sua presença no Metal Land.

Dirty Glory (<-- é link, clicaê!) e Necromancia (<-- é link, clicaê!) detonaram, sem dúvida, mas quem acompanha o blog desde o começo conhece minha devoção à Armahda (<-- é link, clicaê!). Essa banda que revive a História do Brasil pra mim é como uma máquina musical do tempo, invocando o sentimento das glórias e derrotas que marcaram o passado de nosso país. Como já referido: "uma aula magna de História e Heavy Metal." 
Geral do Armahda na van preta reluzente
Os homens de preto da Armahda e do King of Bones, chegando no local do show.




Armahda no palco "Dimebag" no Metal Land
Começo do show da Armahda, que agitou o público do palco Dimebag (Imagem: Rosa Moraes)

Selfie com a Armahda: vocalista iluminado e um baixista na cabeça
Foto e modelo lamentáveis, mas um momento como esse TINHA de ser registrado.

Uma pena que a banda tenha precisado tirar do setlist duas músicas essenciais e magníficas: "Flags In The Wind" (porque é minha favorita :3 ) e a faixa-título "Armahda". Sei que sou suspeita para falar, mas acho que a banda merecia um tempo maior, que tocassem até "Uiara"- tudo a ver com aquele paraíso de lagos e Natureza. Só dispensaria as honras do palco principal, porque foi muito bom ver minha banda querida sem ter que tomar banho ao mesmo tempo.
Relíquias da Armahda
Relíquias da Armahda: palheta e setlist.



Claustrofobia (<-- é link, clicaê!) - que  já tive o privilégio de ver até em um festival no norte da Europa, e Krisiun (<-- é link, clicaê!) - voltando para casa após rodar meio mundo em turnê , chamaram mais uma vez o povo pra banguear na chuva, enquanto quem preferiu ficar só no coberto pôde prestigiar a tradicional Centúrias (<-- é link, clicaê!) e a King of Bones (<-- é link, clicaê!), banda que vêm ascendendo rapidamente no cenário, conquistando a mídia especializada e ampliando cada vez mais seus horizontes.
King o Bones e Edu Lawless chegam em Altinopolis
King of Bones finalmente desembarcando no Vale das Grutas em Altinópolis -SP (Imagem: Rosa Moraes)



King of Bones no Festival Metal Land
King of Bones no palco Dimebag do Metal Land Festival (Imagem: Rosa Moraes)


(Tá, foi nessa parte do show que eu encontrei uma outra doida que me chamou pra banguear junto, e eu terminei desafiando a guria a dançar em cima dos amplificadores. :3 Tem certas horas em que ninguém consegue ser mais cara-de-pau do que eu. :3 )


Pensa que acabou? Ainda teve um show especial celebrando os 30 anos do Sepultura (<-- é link, clicaê!), Aneurose (<-- é link, clicaê!), Monstractor  (<-- é link, clicaê!) e Voiden  (<--p.q.p, já deu pra sacar, né?).

Durma-se com um barulho desses..! :D

Pastelão do festival
Detalhe da barraquinha de pastel e sua apetitosa decoração (Imagem: Rosa Moraes)

Barraquinha de tranqueirolas e camisetas no Metal Land
Lojinha de merchandise, camisetas e acessórios ao lado do palco Dimebag ( Imagem: Rosa Moraes)

Menu do dia.
O cardápio básico do festival (Imagem: Rosa Moraes)




O hotel oferecia um alojamento simples, mas funcional. Os quartos eram um tanto quanto caros, para o conforto oferecido.  Mas olha com aquela estrutura de camping, quarto pra quê? O negócio é entrar de cabeça no espírito da coisa e armar barraca ao invés de barraco. Teve o caso de uma barraca que escorregou no barranco. Tinha barro pra burro, naquela p*rra.




Priceless acordar pra ir ao banheiro e dar de cara com um maluco pelado pondo o lixo pra fora da barraca (ou algo assim). Não tem nada que pague dormir ao som de grilos e sapos, distorções e bumbos. Quando o sol nasceu, eu não conseguia nem me mexer. Parecia que um trator havia passado em cima de mim e eu me perguntava se tinha sido o bate-cabeça ou o chão da barraca. Provavelmente ambos.

Tomei um banho pra "acordar", mas acabei foi dormindo de novo, com o som dos pingos da chuva na cobertura da barraca. Até que um bando de Bichos Papões Alucinados resolveram urrar e sacudir tudo, que nem apocalipse da bruxa de Blair zumbi.




Eles me convidaram para admirar as vacas que ali perto pastavam, e depois subir para um mergulho na piscina.

A galera do metal pastando
Galera do metal curtindo a fazenda do Vale das Grutas (Imagem :Adriana LaBrie)

Mangueiras carregadinhas na área de camping.
Detalhe de uma das árvores frutíferas (mangueira), na área de camping. (Imagem: Rosa Moraes)


Metaleiros de molho!
Festa na piscina com os discípulos do Deus Metal (Imagem: Rosa Moraes)




Backstage do Metal Land em Altinópolis
Até o backstage era "tr00". (Imagem: Rosa Moraes)
No caminho, encontrei um grupinho curioso de pessoas agrupadas ao redor de um poste,  todas em silêncio. Eu não consegui parar de encarar a cena até entender o que estava acontecendo: o poste tinha tomadas, e eles estavam recarregando seus celulares. Desatei  a rir, eles também. É incrível o quanto um festival torna as pessoas sociáveis. Na hora de tomar banho, desatei a cantar no chuveiro. "Alone You Breathe", "Taakse Jää", " Living For The Night" e chega, antes de desperdiçar àgua. Chuveiro é chuveiro, e eu já estava aquecendo a garganta pra gritar muuuuuuuito..!

E haja pilha pra segurar a maratona que veio (junto com a chuva, é claro) : Stoned Bulls,  FireGun, Mad Mamba...e dá-lhe  encarar chuvarada e lamaçal pra cantar junto com a épica SoulSpell, o projeto criado por Heleno Vale e que conta com feras incríveis e grandes nomes nessa encantadora obra prima do metal sinfônico, melódico, mágico...vibe que só aumentou quando os elfos do Tuatha de Danann subiram ao palco, iluminando a floresta e exalando um inebriante perfume de incenso.

E pra voltar com estilo ao "roque pauleira", toma lá o Fúria Inc., pra aquecer o pescoço que nunca mais volta pro lugar depois daquela performance do Tim Ripper Owens com a banda Krow. Nem de capa e coturno deu pra salvar muita coisa no caimento do vestido ou da cuidadosa maquiagem. Nem com meu foférrimo chapéu do Finn (<-- é link, clicaê!).
Eu tentando permanecer enxuta.
"Todo mundo usando o chapéu do Finn, todo mundo usando o chapéu do Finn, só pra curtir..!" (Imagem: Paulo R. Barros Jr.)


E vamos em frente que ainda tem Matanza, Executer, Andre Matos (<-- tudo link, clicaê!)... mas fiquei devendo minha presença nos shows do Trator Br, ShotDown e Sephion. Era metal até o sol subir, e não pude me dar o luxo de ficar até o último acorde.


Falando nisso, eu fico pensando se existe alguma cláusula, ou se é simplesmente típico do metal essa mania de falar m*rda pra c*r*lho no palco. Perdi a conta de quantos "P*TA QUE PARIU! CÊS SÃO F*DA!" já ouvi mandarem de cima do palco.

A volta estava "programada" para logo após o show do Matanza, mas a van só acabou saindo mesmo lá pelo meio do Andre Matos. Claro que eu quis ficar para o show, mas haviam horários a se descumprir, e sei lá se eu ainda tinha bateria pra sair da van e voltar lá pra chuva. E ter que voltar ensopada pra casa. Mas antes que eu pegasse no sono com o balanço da van, me arrependi. Paciência, eu já tinha sido feliz PRA CARALHO (adj. adverbial de modo, superlativo coloquial, explicação para o que não se explica, medida imensurável.)


Armahda e King of Bones dando área do festval. Todo mundo moído.
Parte da trupe do Armhada e King of Bones, todo mundo capotado na van, esperando a volta pra casa. (Imagem: Rosa Moraes)


Lembrando assim, parece que foi sonho..! <3

Tinha um cara de cabelo azul e uma make meio King Diamond, meio Secos & Molhados. Tinha uma meia dúzia de vampiras, pelo menos duas diabas, o filho do Gandalf com o Merlin, cabelo de borracha, criança feliz, curtindo à beça o feriado com os pais. Vi cada cena de crianças se divertindo com seus pais, coisas de emocionar o coração e pensar: " Com certeza, o heavy metal brasileiro tem futuro, sim."

Mas ainda tem um tanto a crescer.


Tchau procês galera
Placa da van do Armahda  e King Of Bones, (Imagem: Rosa Moraes)



10 comentários:

  1. Estive lá nos dois dias e assino embaixo em tudo o que foi dito! Festival brutal demais. Uma pena não ter tido um público tão grande. Meus ouvidos ainda estão zunindo

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    1. Só não teve um público maior porque não sabiam o que iam perder... ;)
      Ano que vem, lota. Aposto.

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  2. Caralho! Fiquei os 4 dias lá, meu primeiro Evento grande que fui com varias bandas Fodas! Espero ir em muitos ainda! Tuatha de Dannan a hora que começou a tocar e todo mundo pulando em baixo de chuva e voando Barro pra todo Lado não tem preço, foi do caralho não só a Banda Tuatha mais com todas Bandas foram Fodas! Meu Coturno estão parecendo um Tijolos. KKKKKKKKKKKKK'

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    1. Nony, meus coturnos acho que vão para o lixo... :D Mas valeu cada minuto!

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  3. Evento foda demais, muito legal a ideia de misturar rock, metal e natureza. Infelizmente teve a chuva, mas não broxou ninguem.....só queria deixar uma dica para o proximo festival, eles tem que colocar as maiores bandas um pouco mais cedo, entre meia noite 2 da manha, qdo entrou Sepultura e André Matos, mta gente ja tinha saido da pista

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    1. Olhaê, produção: fica a dica.
      E uma cobertura na área do palco principal, também :D

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  4. Fui com a galera do Project Black Pantera de Uberaba e deixo registrado aqui que um festival como esse não pode morrer..... sexta quando fui tirar uma foto com o Vitor do Voodoo ele agradeceu a vinda de nós e todas as bandas mandavam a mesma mensagem....precisamos prestigiar mais bandas e eventos como esse e não apenas shows internacionais pois só assim conseguiremos transformar a cena metal no país em algo grandioso e, principalmente, com a importância que merece.

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    1. Poxa, não registrei o show do Black Pantera, mas o som deles representa! O Vitor é um fofo, e tudo o que faltava para o metal nacional dar certo é justamente essa união que temos propagado e prestigiado. É o #LevanteDoMetalNativo ! :D hehehehehe

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  5. Muito interessante a forma que você abordou o evento, mostrando um outro ponto de vista, o do público!!!

    Parabéns!
    Extremamente relevante!

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    1. Grata pela atenção! :D Feedbacks extremamente pessoais são a especialidade da casa ^_^
      Parabéns pelo excelente trabalho no blog e vamos torcer para que o metal nacional esteja sempre mais e mais unido...e que sempre possamos colaborar com resenhas positivas!

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